—Não quero! respondi, dando um murro em cima da mesa. Não quero ser padre.
—Ninguem te obriga, rapaz. Ha outras vidas tão boas ou melhores até. Medico, por exemplo.
—Não quero!
E, desviando os olhos para o lado da janella, vi lá onde o céo vai dar um beijo no mar, uma velasinha alvejando, que me pareceu do meu partido e a gritar-me lá de longe:
—Fazes muito bem. Não queiras ser medico, não queiras ser padre. Olha para mim. Cá dentro vai a ventura!
—Pois não queiras! gritou meu tio.
E começou a passear pelo quarto, puxando grandes fumaças.
Eu, espantado do meu atrevimento, tinha{87} baixado tristemente os olhos e, muito amuado, coçava a cabeça.
—Lá no collegio, tens tempo de sobra, para te resolveres, disse meu tio porfim, parando deante de mim. Ámanhã vais comigo para Lisboa.
Lisboa!