Soou-me o nome aos ouvidos como palavra magica.

Lisboa! Ia partir para Lisboa, que nunca tinha visto, mas cujo só nome me despertava na imaginativa sonhos encantadores, prodigios de riqueza, mansões de fadas!

Ergui a cabeça, tão cheio de alegria, que até me puz a rir de rijo!

Olhei para minha mãe. Coitadinha, chorava.

—Vamos, disse o tio, batendo-me com a mão no hombro. Vai vestir o teu fatinho preto, que tens que despedir-te desta gente!

Lisboa! Lisboa!

Eu bem via as lagrimas da minha mãe,{88} mas este grito da minh'alma calava-me o coração.

Fui despedir-me do mestre-escola que, adeante de todos, me deu um valente abraço, dizendo-me:

—Continua assim, meu rapaz. Sic itur ad astra!

Eu, muito envergonhado, para fazer alguma coisa, bafejava a palla do bonnet e limpava-a depois á manga da jaleca.