Havia trez annos que não via o querido velho, que só de longe em longe vinha a Portugal matar saudades.
Estavamos então no principio do inverno e um denso nevoeiro espalhava-se sobre o mar. Ainda longe da villa, já ouvia o sino{91} da Senhora dos Milagres tocando afflictivamente para indicar o porto aos que andavam fóra.
—O José Sacrista, coitado, disse-me o cocheiro, tem o filho lá no mar e desde hontem de manhã que está agarrado á corda do sino.
Foi talvez o nevoeiro, ou foi aquelle sino tão afflicto, ou talvez dó do sacrista, que fez com que me apeasse da diligencia, levando oppresso o coração.
No caminho de casa encontrei o mestre-escola que me veio abraçar todo tremulo, cheio de brancas, abordoado a uma bengala.
—Parabens, muitos parabens. Eu bem te dizia.
Não pude deixar de sorrir-me.
—Que pena, continuou, vires em occasião tão triste!
—O que?
—Não sabes?... Valha me Deus! O tio Bernardo...