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Pelos fins de outubro, uma tarde, o José lembrou-se de deitar por ali fóra, até Monsanto.

Ia passeando devagarinho.

O vento soprava do noroeste. Ao meio dia tinha dado aquella volta, e o José achava-lhe geitos de querer saltar para a barra. Quando chegou ao cimo da serra, viu o Bugio rodeado de espuma e as ondas cahindo d'alto, lá por detraz, ao pé da Costa.

Diabo do inverno! Começava cedo.

O sol descia. O José parou um bocado a vel-o mergulhar na espuma.

Começou soprando mais rijo o vento, e, quando o sol desappareceu, fechava o horizonte{100} uma lista negra, franjada de oiro, que ameaçava engrossar.

Pois paciencia! Felizmente lá estavam na gaveta as economias do verão. Todos os annos havia inverno e na casa d'elle nunca houvera fome, graças a Deus.

E o José levou a mão ao barrete.

Sentia-se feliz, não tinha cuidados, o dinheiro entrava-lhe pela porta dentro; teria até demais, se fosse a comparar, porque a elle nada lhe faltava e a muitos faltava tudo.