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A mãe extranhou-o. Em vez de adormecer para ali, depois da ceia, como costumava, pregou os olhos no tecto, e ficou-se a mascar um bocado de charuto, a mascar, ora serio, ora sorrindo a alguma imagem que entrevisse, como quem faz castellos no ar, que os vê cahir de repente e logo erguerem-se mais alto. Nem sequer reparou nos olhares prescrutadores que a mãe, de vez em quando, lhe lançava por cima dos oculos.
Mas de repente a pobre Anastacia deu-lhe o coração um baque. E ella que nunca se lembrára d'aquillo! Pois não era certo que tarde ou cedo havia de acontecer?
E com um fundo suspiro de saudade pelo bom tempo que passára, murmurou com os olhos embaciados:
—Queira Deus que seja para bem.
O José encarou-a, despertado por aquella voz.{105}
Ergueu-se e approximou-se da janella, que abriu.
O vento soprava do sudoeste. Ao longe a barra roncava medonhamente. Grossas cordas d'agua entraram no quarto.
—O inverno! disse elle, fechando a janella.
A velha encolheu os hombros.