O farol do Bugio circulava lentamente, e a luz fixa da Torre de S. Julião parecia examinal-o com uma grande curiosidade idiota, nunca satisfeita. O bote passou entre os dois faroes.

As ondas marulhavam de encontro ás bordas do barco, e a musica d'ellas era triste como o coração do Ventura.

E fôra o Conselheiro, o seu melhor amigo, quem lhe enterrára o primeiro espinho!

Ao principio corrêra tudo menos mal. Muitos tinham medo do vapor, e mais que todos o Conselheiro.

—Nada! dizia elle ao Ventura, batendo-lhe com a mão no hombro. Estes progressos são muito bons, mas cá para mim não servem. Um bello dia...

—Zaz!... Pum!... concluia José, rindo muito e imitando com os braços um grande fogo de vistas, que era a caldeira a rebentar.{108}

E, dez dias depois, o José cumprimentava-o com o seu melhor sorriso, e o Conselheiro passava cheio de pressa, afogueado, levando as filhas a reboque, muito coxas com as botas curtas, fazendo todos signaes desesperados com os chapéus de chuva para o vapor que apitava, prompto a largar.

Bem lhe tinha dito o pae da Maria Eduarda:

—Muda de vida, José, ou prégo-te a peça.

E, como o José não mudava de vida nem a caldeira rebentava, tinham pregado a peça ao Ventura.