Foi n'um dia em que o catraeiro, pelo maior dos acasos, tinha ganho dois tostões. E, em vez de os entregar á mãe, foi á loja da esquina comprar um collar de contas para levar á namorada.
—Está cá, menina Maria? perguntou da porta com o coração a bater.
—Sahiu, respondeu lá de dentro a voz do pae. Queres-lhe alguma coisa?{109}
—Nada, respondeu.
E ficou encostado á porta, esperando a noiva.
Lá dentro o taberneiro virava na frigideira as sardinhas que aloiravam, bailando e cantando uma cantiga festiva no azeite a ferver.
E o Ventura á porta apertava na mão a caixinha das contas, e tinha fome.
—Olá, seu Manuel Joaquim, disse entrando alegremente na taberna um cocheiro de grandes melenas oleosas, repuxadas para diante das orelhas, cara escanhoada, chapéu de capa d'oleado deitado para traz. Já vieram as senhoras?
—Ainda não, mas não podem tardar. A pequena disse á mãe que haviam de voltar cedo por você cá vir... Seu maroto!...
—Ó seu Manuel Joaquim!... Eu cá dou-lhe a minha palavra...