—Mau! mau!
E, largando as Sardinhas, chegou-se ao pé do cocheiro e disse-lhe ao ouvido:{110}
—Olhe que a ceia está prompta e tenho ali uma pinga...!
O Ventura á porta, envergonhado, sem se lembrar de os matar a ambos, escondia o pé descalço atráz da perna nua e torcia nas mãos o barrete de lã esboracado.
E logo voltando, n'um desespero, atirou ao chão a caixa do collar. E as contas de vidro foram adiante d'elle saltando por longo tempo, fazendo uma bulha alegre de gargalhadinhas trocistas.
E a mãe áquella hora tinha fome...! E fôra talvez a fome que a matára!
Lá estava enterrada na valla dos pobres, lá muito longe, por detraz d'aquelles montes, que a lua a nascer, espargindo uma baça claridade, azulava docemente.
Estavam fóra da barra, o mar estava picado e o Ventura tremia.{111}
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No dia seguinte, ao amanhecer, foi encontrado, meio desfeito, para além de S. Julião, um bote abandonado, que tinha á poppa escripto n'uma variegada rosa dos ventos o nome do Ventura.