E quando soube da triste nova, emquanto aos olhos das filhas subiam saudosas e sentidas lagrimas, o Conselheiro, gravemente, lembrando-se do pouco tempo que durára a primavera do José, citou as rosas de Malherbe.{112}
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[O PRIMEIRO SORRISO]
Mal se tinham accendido as luzes no Colyseu, quando elle entrou devagarinho, triste, um pouco asmatico, meneando a cabeça pallida.
Parece que mais lhe pesava a corcunda n'aquella noite.
Andando pelo corredor estreito, que divide os camarotes dos logares mais baratos, foi encostar o queixo á teia de pinho, pintada{114} de branco, junto do caminho atapetado, que a cantora devia seguir do camarim para o palco.
Era uma artista celebre a que se estreava. Com oito dias de antecedencia tinha-se espalhado com profusão pela cidade, collado aos vidros das portas dos armazens de musica, pendurado em quadros ás esquinas das ruas, o retrato lithographado de mademoiselle Eva d'Avenay.
Um dia, o corcunda, passeando depois do jantar, como costumava, pela rua do Oiro, erguendo a cabeça, deu, de subito, com um d'aquelles retratos na loja d'um livreiro.
Parecido ou não, representava uma mulher lindissima.
Ficou extatico um momento; sentia tremer-lhe o coração um pouco, e como que dois dedos apertarem-lhe amorosamente a garganta.