Dei um murro no parapeito da janella e fechei-a desesperado.

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A nuvem negra, para provar que o bexigoso não era tolo de todo, deixou cahir como prologo de maior chuveiro, uns poucos de grossos pingos de agua, que vieram bater tristemente nos vidros da janella.

Accendi o velho candieiro de azeite e recostei-me n'uma poltrona de oleado, onde dei largas aos merencorios pensamentos.

Decididamente odiava a vida.

E que me prendia a ella? Fôra uma cadeia de oiro a d'outros tempos, mas viera a desgraça quebrar-lhe, um a um, os elos todos.

—A morte!{132}

E machinalmente puxei do rewolver.

Era uma joasinha americana, bonita, de systema engenhoso, com fechos de prata, que me saira n'um bazar de caridade.

—Eis o remedio para quantos males se soffrem no mundo, pensei. Uma pouca de coragem, um pequenissimo movimento... e nada mais é preciso.