E eu, que detestava a prosodia e o latim, comecei desde logo a detestar o tio.{134}
N'aquella noite pareceu-me que os olhos azues e pequeninos scintillavam, phosphorescentes.
Recuei com um calafrio, procurando fugir ao pesadêlo.
E os seus olhos pequeninos, azues, phosphorescentes continuaram a seguir-me com pertinacia.
Passei a mão pela testa e trouxe-a humida de suor frio.
Dei volta á bandeirola do candeeiro e, cheio de falsa coragem, approximei-me do retrato.
Estava louco!
—Sou um cobarde! Tenho a cobardia d'uma criança, pensei.
Fui ao armario de páo preto, envidraçado, onde tinha uma garrafa com um resto d'absintho.
Um caruncho, com aquelle ruido monotono e compassado, que tanto se ouve nas casas velhas, incumbira-se da agradavel tarefa de esfarelar uma prateleira.{135}