E eu ia pensando com uma certa alegria{137} no jantar e comecei a ver a morte sob outro aspecto: o suicidio depois de bem comido, numa salla bonita, quente, alumiada fortemente por dois lustres de gaz.

Que differença! Que admirava que me tivesse faltado a coragem n'aquelle quarto frio e humido quando eu estava possuido da tristeza da fome? Frio e fome por toda a eternidade!...

Entrei no hotel cantarolando um bocado da minha opera favorita.

Defronte de nós uns americanos bebiam champagne, veuve Cliquot.

—Grande vinho, o champagne! não achas? disse o meu amigo.

—Magnifico!

—Havemos de vir bebel-o aqui um dia d'estes. É pena não poder ser hoje.

—Porquê?

Não respondeu e córou até ás pontas das orelhas.

E eu achei que para dar coragem nada havia como o champagne.{138}