Poeta mais original, mais rico, mais verdadeiro do que aquelle, não conheço na litteratura portugueza, e tanto como elle, ha de ser difficil de encontrar entre nós, na litteratura d'hoje. Um certo mysticismo mal definido que recendem as suas poesias, é menos producto da tradicção que originalidade genial. João de Deus é um homem do Meio-dia com o vago ancear d'um poeta do norte. Opprime-o o insufficiente como ao Faust. Se lhe désse para ser philosopho, onde iria parar?...
Como poeta tem alguma cousa de Ossian com alguma cousa de Goëthe...[8]
Luciano Cordeiro.
[2] «Goethe et Schiller» por E. Rambert. (Revue Suisse—fev. 1869).
[3] Quando digo «sensações sensoriaes», fallo das sensações «externas e internas», como vulgarmente se classificam, e não excluo as que se dão sem realidade objectiva que as provoque, e que constituem o estado pathologico da «allucinação», estado a que porventura se poderia reduzir algumas vezes, creio, o «mens divinior» dos antigos. Esta ultima observação é minha, as anteriores são de Luys (Recherches sur le système nerveux, etc., etc., cit. par Littré) e E. Littré, De la méthode en psychologie (Phil. posit.—Revue—1.er vol.)
[4] Seguia-se a seguinte quadra, que não apparece na collecção e que eu acho não só egual em bellesa ás citadas, mas superior a algumas:
Quando o annel da bôcca lusidia,
Vermelha como a rosa cheia d'agua
Em beijos á saudade abrindo a magua
Mil rosas pelas faces me esparzia;
[5] Variante:
Oh lagrima das lagrimas que choro!
[6] Superiorité des artes modernes.