[7] Cours fam. de litt.
[8] Revolução de Setembro (1869) n.os 8012, 8015 e 8023.
FLORES DO CAMPO
DE
João de Deus
É indispensavel crêr na poesia como se crê no Evangelho, como se acredita em Deus. No perpassar d'esta via dolorosa, cortada a todo o passo de agrestes sinuosidades, a poesia luzindo de quando em quando ao viageiro extenuado como um iris de bonança, significa a mais completa redempção da materia pelo espirito.
Aguia sobranceira que elevando-se até perder de vista o lodo em que se immergem tantos e tantos seres, vae roçar com a fimbria da aza a crista das nuvens, confundindo os seus arrulhos mysteriosos com as melodias dos seraphins!
Creou Deus a poesia para que a primavera com os seus canticos e perfumes, com a sua opulenta vegetação, encontrasse quem a comprehendesse, quem a cantasse: creou Deus a poesia para escarmento ao vicio, distanceando-nos do finito que é o começo do scepticismo, para o infinito que é Deus! Surgiu a poesia para que nas trevas de um mundo que ri de tudo como Democrito, que tudo amesquinha, brilhasse uma luz que só de vêl-a a alma se purificasse e o espirito adejasse para o ideal.
Não chamem á poesia trivialidade.
Estudem os seculos; contemplem as nações e digam se a poesia teve ou não extraordinaria influencia nos grandes acontecimentos sociaes.