A solidão augmenta-me os pezares, quando a hora do crepusculo da tarde vem descaíndo vaga pela terra, deslisando do inflexivel pendulo do tempo com a dura impassibilidade d'uma desgraça tremenda.
Gaivotas, alegrias do rio! Alegrias, gaivotas do pélago da minha vida! Porque fugís tão velozes, sem vos deixardes agarrar por estas mãos, que vagam sem um apoio amoroso, sem vos deixardes aprisionar n'este peito, fremente de meigas paixões santíssimas?
Rio Madeira, abril.[{38}]
[{39}]
O Naufragio do Purus
O Naufragio do Purus
A H. Inglez de Souza
I
Este é o sitio em que, ha vinte annos quasi, afundou-se o Purús, arrastando para o leito do rio algumas dezenas de cadaveres colhidos de surpreza.
O Amazonas aqui, como conservando ainda a triste memoria do luctulento successo, rola silencioso as suas aguas, cobre-se eternamente[{42}] com o intenso crepe, accentuado e mesto, do vasto rio Negro.
Têm as margens a apparencia de um recinto de funeral: socegadas e desertas, monotonisam o quadro com a ininterrupta ostentação das suas ramalhudas verduras densíssimas.