Que bella estatua! Collo d'alabastro,
Um riso de crystal, faces ardentes,
Um adreço de perolas os dentes
E os olhos chispam o fulgor d'um astro!
De maus intentos o porvir alastro
Porque passando desdenhosa sentes,
Que intimidas com lividas correntes
Quem doido beija o sulco do teu rastro.
Paradoxo cruel! treva d'arminho,
Idolo deslumbrante, ruim creança
Que da ternura forjas sevo espinho!
Quando te vejo occorre-me a lembrança,
Flôr de gelo, sinistro rosmaninho,
D'enforcar-me a sorrir na tua trança.
*Cavatina*
(Palavras ditas entre bastidores a uma corista)
Tenho ideias com-fusas e geladas
Sobre a escala do amor onde resplende
Lá n'esse vivo sol, que mais se accende
Rallentando as promessas calculadas.
A gamma dos suspiros não attende,
É de mau tom possuir lindas manadas
D'amantes, que se afinam nas ciladas
Das pausas, que o desejo não entende.
Algumas joias quiz com ar guapo
E a compasso dos negros agiotas
Outras requer n'um prodigo—dá capo.
Morre-se—diz o adagio—d'alegria
Portanto se eu pagasse em boas notas
Expiravamos ambos d' … harmonia.