A figura de Alexandre Herculano não a viu com a minucia, tantas vezes arbitraria, de Taine; viu-a com a verdade ampla dum patriota e crente que nunca esquece o que a patria e a fé representam na grandeza da Humanidade.
Assim, a conclusão do seu trabalho sobre o maior e mais austero vulto do nosso romantismo deriva sem esforço, luminosa na sua singeleza, das belas paginas em que estudou o grande escritor e grande cidadão—Alexandre Herculano, diz, a todos honrou igualmente, engrandecendo-se e legando-nos um exemplo unico e supremo na historia do povo português.
Dizer isto, depois de o provar sem estridor como sem desfalecimento de fé, com vistas sempre originais e sinceras, num estilo belo, com profundas noções cientificas em todos os aspétos encarados, significa uma obra primacial, uma obra de eleição, e, na essencia, uma completa obra de propaganda da Verdade Maior.
Não aparece o lenhador, e sim o semeador.
O machado e o bisturi trocam-se pela charrua paciente e pela luz do sol sem nuvens.
O critico não é a torrente cataduposa: é o rio poderoso, mas placido, que nunca reflete nas aguas pedaço de céo que não seja amorosamente azul.
Mas, se o supondes lago apático, enganais-vos: a sua serenidade é cheia de vida, e tanto que as suas aguas, porque são perfeitamente puras, são adoravelmente limpidas.
Ás vezes até, a profundidade da vida lhe dá murmurios de oceano: é o salmo intenso das crenças perfeitas.
É a Conciencia livre, a qual, por mais serena que se eleve, tem sempre muito de Mar e como que de abismo.
Compreende-se talvês agora como é que este crente é, afinal, um avançado socialista, um ardente libertario.