Appareceu-lhes Bertha,

—vinha da cosinha, tinha ido ella mesmo preparar o plum-pudding, o seu Roberto gostava muito, era doudo por aquillo.—

—E o Doutor, bom, de saude?...

—Ainda na cidade; olhe, vem ás quatro horas, trabalha muito, coitado; por ora vivemos aqui, é longe, mas é mais economico; e talvez vivamos sempre, é tão saudavel este ar...—

—Mas devia ser insipido n'aquella quadra,—ella, Ermelinda, só gostava da Foz no tempo de banhos, havia convivencia, bailes; as manhãs da praia, as tardes de musica no Passeio Alegre...

O Alberto apoiava:

—Sim, devia ser realmente insipido.—

—Pois, olhe, não nos aborrecemos; até gostamos mais d'esta quadra, vivemos mais um para o outro; á tarde o Roberto vem cançado, fatigado, janta bem, e vamos passeiar, duas creanças ás vezes, a liberdade solitaria da praia... era muito lindo, deveria gostar...—

—Não, não, Deus a livrasse de tal; e como passava as noites, aquellas noites longas de inverno, sem theatros, sem partidas...{127}

—Temos as nossas partidas—volveu sorrindo Bertha,—fazemos musica os dous; o meu Roberto é um artista, toca violino, eu acompanho-o ao piano, a musica é uma boa distracção, não deixa a gente aborrecer-se; são uns bons companheiros, Mendelssohn, Mozart, Meyerbeer,...