Uma salva de palmas acolheu a ultima estrophe da poesia. Alberto agradeceu, com cortesias reverentes, de modestia affectada.
Então o Jorge veio dizer á filha que se preparasse.
—Não importa—pensou—assim como assim já marcamos a hora.—E foi despedir-se da Adelaide, das Bastinhos, da D. Clementina. Ao passar por Alberto disse-lhe tambem—Adeus.
—Já!
—O papá assim o determinava.
—Que tyrannia!
Subiu á toilette para cobrir a capa de noite, e quando desceu, o Alberto estava proximo da escada; sorriu-se ainda, trocaram um ultimo olhar.
Ele dansou uma vez mais; foi com a Adelaide,{24} uma walsa, que os fatigou muito. A filha do Mendes fez allusões aos seus novos amores, deu-lhe os parabens—elle, que não, que nada havia!—era uma menina muito sympathica de certo, mas o seu coração estava morto desde muito.
—E quer que lh'o ressuscitem, talvez?
—Respondeu que das cinzas não podia nascer a vida, que a paixão já não podia incendiar o gelo,—mil banalidades cheias de sentimentalismo, muito estafadas pelo uso, que elle conservava todavia no seu cerebro, como se conservam as coisas pathologicas nos frascos d'alcool.