Desceram a escada; o Alberto viu-os descer, a Ermelinda primeiro com a filha, depois o juiz, atraz o escrivão.

Uma voz de mulher, que vinha da rua, repercutiu na escada.

—Coragem, menina, estás livre d'esse monstro!—

Era a voz da D. Clementina. A carruagem rodou, n'um murmurio fremente de calçada.

Passada a emoção de momento, o Alberto passeava phreneticamente no gabinete.

—Então, ein, não fui comido! Tudo se conspira contra mim com mil diabos!...

Pensamentos de vingança, d'uma desforra estrondosa, lampejavam no seu cerebro escandecido; acalmava porém, reflectia:

—E agora era tirar de tudo o melhor proveito!{215} que a levasse o demonio! lá á pequena tinha-lhe um bocado de amisade, mas adeus, isso passava.—

Ideias se encadeiavam n'uma associação tumultuosa, e a sua reminescencia avivava as lembranças do passado, o namoro com ella, o casamento, que—tinha sido afinal um logro porque tinha menos do que elle pensava—

a sua lua de mel, as primeiras questões, o seu emprego no Banco, a morte do Jorge, a reconciliação com a Annita.