—Ah, ah, oh, deixa-me rir; com que cara não havias tu de ficar, e dou-te os meus sentimentos, menino, dou-te os meus sentimentos; eu tambem estou sem homem!—
Ria muito, umas gargalhadas limpidas, espadanando-se de encontro áquelle caso tão serio, comparando a situação dos dous,
—nem de proposito, só a nós!...{217}
—mas que graça lhe encontras tu!
—graça, pois não tem!... a modo que ficaste com pena... a Gatinha tem ciumes, ouviste!...
beijou-o no pescoço, mordendo-o sensualmente, uma provocação excitando-o, cheia d'umas caricias felinas.
—E estamos livres outra vez, é como d'antes!... agora sim que me agrada isto!.... Vamos ser um do outro para sempre... valeu?
—Valeu, com mil demonios—e enlaçou-a nos braços, queimando-se na quente languidez d'aquelle corpo, o olhar esvaecendo-se n'aquella nudez appetitosa, d'um trigueiro rosado, uma pennugem negra maculando-a.
Alguns dias depois, no tribunal, em audiencia secreta, tinha logar o julgamento da acção, que separava definitivamente de pessoa e bens os conjugues Alberto de Sá e Ermelinda Jorge.