Vestida de preto, a Rosina pela mão, os olhos cubrindo-se de lagrimas, vexada no seu novo estado, cedendo ao peso da vergonha d'aquelle processo judicial, Ermelinda entrou em casa da D. Clementina, muito commovida, branca de marmore, a voz soluçante.{219}

—Tudo, tudo acabou!

—ou elle credo, nem que tivesse morrido alguem.—

—antes morrera eu, D. Clementina, teria sido mais feliz!...

—e a tua filha, sim, não me dirás? o egoismo não te deixa ver o que seria d'essa creança sem pae, nem mãe?...

—Tem razão, tem, é preciso viver para ella; ha-de ter mãe, já que não tem pae—protestou.

As lagrimas foram rareando; a commoção esbatia-se na vulgaridade dos accidentes chãos, como nuvem que se esfarrapa, aclareando-se, em pedaços do azul; o tempo ia derramando um balsamo doce sobre aquella ferida, cicatrisando-a, n'uma suavidade lenta.

O commendador visitava-a de quando em quando, sempre muito attencioso, um pequeno bijou para a Rosina.

—E porque não vinha mais vezes?—dizia a D. Clementina, entre suspirosa e affogueada.—

—seus negocios, seus negocios, mas não as esquecia, tudo que precisassem d'elle, era só dizer; não era homem de palavras, mas nas occasiões alli estava prompto.—