Ermelinda confirmava—
—que lhe era muito grata, se não fôra elle e a D. Clementina, quem sabe, talvez já não existisse.—
—e sabe noticias d'elle?—perguntou a D. Clementina.—
—mas seria melhor que não fallassem n'isso,—observava—fôra{220} viajar, segundo lhe tinham dito, creio que com uma mulher á tôa.—
O rosto d'Ermelinda rosou-se levemente; um rubor de ciume,—e os seus olhos quasi supplicaram ao commendador que a poupasse áquellas narrativas,—
—mas não fallemos n'isso, nem vale a pena,—obedeceu o brazileiro.—
Ia intrigado d'aquellas visitas, commovia-o o estado triste d'aquella mulher; uma onda de commiseração, que não estava longe do amor, principiava a enternecer-lhe fortemente a alma, com desejos impetuosos d'uma tyrannia cruel. Rareava por isso as visitas.
—não queria que ella perdesse por sua causa, e depois, apesar de não ter marido, tambem não podia casar com ella, uma estupidez da lei—
mas enviava á Rosina lindas corbeilles de flôres, bouquets de violetas, umas prendasinhas graciosas, que pareciam levar intenções significativas.—
—O commendador, realmente,—disia a D. Clementina—muito amigo é da tua pequena; nunca lhe conheci este affecto pelas creanças.—