—quando se lembrava que a sua filha era filha d'elle, quasi a olhava com desamor,!... mas não tinha culpa, a pobre creança.—

E ficava n'uma exaltação nervosa, um atropellamento de pensamentos chocando-se violentamente, frenetica, incoherente, passarinhando muito pela casa, respondendo asperamente á Joaquina, repellindo as meiguices da pequena, arremeçando com aborrecimento a costura, tomando um livro para logo o deixar, até que se ia quebrantando{227} este nervosismo, a excitação cahindo n'uma prostração apathica, que terminava sempre por um largo choro copioso, muito mansa e abatida, deitada de bruços sobre o leito, e fechada sósinha no seu quarto.

Foi n'uma occasião d'estas que o commendador, de volta do Rio de Janeiro, a veiu encontrar—

—tinha-lhe custado saber onde moravam agora, ein, mas afinal se tinha informado bem; e como iam, como iam, a Rosina estava uma senhora—

—coitada! tinha uma infancia bem desgraçada—

—n'aquellas idades o que se queria era brincar; mas ella, ella, que a achava muito transformada, se estava doente?—perguntava carinhoso—

—doente, não, iria morrendo lentamente, o mundo já para ella não tinha alegrias,—

—que deixasse lá, era nova! e depois a minina!—

Mas a Joaquina interveio.

—que não era verdade, não, que ella queria encobrir, que a D. Ermelindinha andava muito doente, nem comia, era mesmo um passarinho de magresa! e depois aquelle desgosto que a matava.—