—Dou os parabéns a V. Ex.ª—

O Alberto relanceou sobre ella o seu olhar, conheceu que a Annita sabia das suas novas resoluções!—Ah, isso evitava-lhe trabalho, estimava-o—e alto:

—Obrigado! e ainda bem que o sabes! Isto assim como assim tinha de acabar; não era possivel!

—Não era, não!

—Vamos, não te zangues; sê boa rapariga!—E levantando-se, approximou-se d'Annita, tomando-lhe as mãos, aconchegando-a a si. Mas ella fez um movimento rapido, desprendeu-se, e,{90} torrentuosa, quebrando a transparencia das ironias,

—Seu pulha, seu miseravel! pensava que era só roubar-me a tranquilidade e o bem-estar, trazendo-me para esta pocilga, vendendo as poucas joias que eu tinha, mentindo-me sempre, arranjando-me uma filha e agora, por aqui é o caminho! Não que elle não é senão casar com a sr.ª D. Ermelinda! Ora até o diabo se ria! Ahi tem a sua filha, leve-a, faça presente d'ella á sua noiva e para cá as minhas jóias, ouviu!—

O Alberto recebeu esta saraivada, com um ar pallido, d'um sorriso sarcastico, trauteando a sr.ª Angot, e pondo o chapeu na cabeça:

—Até mais ver, gatinha parda!

[VIII]

Trens de praça, os cocheiros com librés de luxo, iam-se pouco a pouco enfileirando na rua onde morava o Jorge. O povinho ia parando, mulheres sobretudo, desejosas de ver sahir o cortejo. Os convidados ainda com os sobretudos e já de luva gris-perle, as senhoras de vestidos de sêda, entravam e logo o director do banco com um sorriso amavel, d'uma cortezia palaciana, sahia a recebel-os, um bello ar festivo, a barba escanhoada, a gravata branca sobre um peitilho folheado, todo grave na sua casaca preta.