Mas sabe porque o meu afilhado quer embarcar?

BOCAGE

V. ex.^a deseja-o feliz?… Deseja… é o seu coração, e o seu costume.
Permitta-me que faça por um momento as suas vezes, e verá… (indo ao
grupo do pae e do filho
.) Desculpe, sr. Manuel Simões. (tomando
Francisco pela mão, em voz baixa
.) Não viu já que o ama? (indo a D.
Maria Gertrudes, em voz baixa e rapida, indicando-lhe Francisco
.)
Quer-lhe como ninguem. (alto a D. Felicia.) Sr.^a morgada da Torre da
Palma, estou auctorisado a pedir a mão de sua filha para o sr. dr.
Francisco Pedro Simões. (Attenção geral.)

D. FELICIA (assombrada)

A mão de minha filha… Se não fosse o respeito do sr. marquez, tinha o meu hystérico!… A mão de minha filha!… D'esse modo!… tão de repente!… (depois de breve pausa) O sr. Manuel Simões é um homem honrado; estimo-o; sou-lhe obrigada, não nego… mas… mas elle bem sabe que a nossa jerarchia… (O marquez ergue-se. Erguem-se todos.)

MARQUEZ (intervindo)

Perdoe, sr.^a morgada… O meu afilhado segue uma profissão nobre… Doutorou-se… poderá em breve alcançar algum despacho de Juiz de fóra… Como seu padrinho tenho obrigação de lhe dar um presente de noivado. (baixo) Fallei já á rainha, minha senhora, a respeito da sr.^a D. Felicia.—O presente que destino ao meu afilhado é um alvará de açafata para sua sogra.

D. FELICIA (encantada)

Ai! sr. marquez! Devéras? Filha, filha, a minha agua da rainha d'Hungria!…

MANUEL SIMÕES (baixo ao commendador em tom supplicante)