MORGADO, e LUIZ MANUEL (da E)

MORGADO (vendo-o)

Outro!… (reparando) Um retrato do tempo d'el-rei D. Pedro!… (conhecendo-o) Ai! o Luiz Manuel.

LUIZ MANUEL (Trajo do tempo de D. João V, tristeza profunda, sisudez inalteravel.)

Bem vindo seja á casa da Torre da Palma, o sr. morgado da Gesteira. Que estava aqui me disse um guarda do monte, que topei agora como nos tornavamos do terço. Já não è isto o que era, porque a sr.^a morgada… «gota a gota o mar se esgota», e quem em maio relva, fica sem pão nem herva.» Mas… ella é senhora do que é seu!… E eu venho só a dizer a Sua Mercê que, se bem «onde senhores empobrecem, criados padecem», tudo o que ha na casa e na quintan está ás ordens do sr. morgado, e mais da fidalga companhia que traz, a julgar pelo arruido que por ahi vae.

MORGADO

Boa companhia trago com efeito. Como no tempo do sr. capitão-mór!

LUIZ MANUEL

Como no tempo do sr. capitão-mór, que Deus haja!… Isso já lá vae, e não volta… Não volta… Nem conhecia o sr. morgado, se me não avisam… Que annos ha! E como assim nos enterramos n'este ermo!… Tanto faz. Como o outro que diz: «ainda que nos não fallemos, bem nos queremos.»—O sr. morgado precisa alguma coisa?

MORGADO