Já por ahi procurámos e dispozemos do que encontrámos… São ainda necessarias roupas, talheres…
LUIZ MANUEL
Ha de apparecer tudo… Tudo?… tudo o que resta. Fizeram bem em se ir logo servindo… Haviam de achar as chaves nas portas… Era o costume antigo, bem sabe.
MORGADO
Achámos. Extranhei até… Estando aqui sós…
LUIZ MANUEL
Não tem perigo. Pouco ha já que fechar e arrecadar. Vasios quasi, os taleigos que andavam de cogulo… a bem dizer no fundo, as arcas d'antes a arrebentar de fartas. Não será como então, que melhor se podia dizer: «em casa cheia depressa se faz a ceia.» Mas o que ha, o que houver… É a vontade da sr.^a morgada… decerto ha de ser. Com ir ahi tudo por agua baixo… que nem sei já se virei a cerrar os olhos n'esta casa onde nasci… ella a final sempre é quem é… (como para atravessar para a D.) Vou dar ordem a… (parando de repente e com tom consternado.) Queria, sr. morgado, mas não posso… Queria pôr a alma e a vida no que me cumpre, já que a Torre da Palma está sem amos… Eu bem conheço que «hospedes em casa dia santo é»… mas… mas… Estou velho, faltam-me as forças! «Uma coisa se deseja e outra é bem que seja.»
MORGADO
Tem alguma coisa, Luiz Manuel?