Eu não, sr. morgado. É a minha Simôa… Isto de viver assim vinte annos juntos, deita raizes cá dentro!…
MORGADO
Pois… que lhe succedeu?
LUIZ MANUEL
Mal acabou o terço, a minha Simôa foi á sacristia buscar um papel, que pelos modos tinha encommendado ao nosso padre cura do Vayamonte… Eu estava á porta á espera… Mal vinha a sair, entra-me a tremer, a tremer toda, a torcer-se como um vime, e a revirar os olhos, e a sumir-se-lhe a falla, e sem se poder ter!… Aquillo não é senão olhado que lhe deram!… Foi preciso trazel-a em braços, e lá ficou em baixo na cama… (lembrando-se de subito) Ai! Jesus! esta cabeça como está com tanta coisa de repente!… Então não me esquecia?… Quando o moço passou por nós, e nos advertiu que estava cá o sr. morgado da Gesteira, tornou assim mais a si a minha Simôa, e disse… (como recordando) Queira Deus que me lembre… Foi isto: «É parente da sr.^a morgada… pede-lhe que venha ver-me, pede-lhe Luiz… Tral-o hoje aqui a Providencia!» Foi isto, foi!
MORGADO
E não m'o dizia? Vamos já. (comsigo) Porque será?
LUIZ MANUEL
Pois o sr. morgado quer?… Aquillo é tresvario do mal!