«Porque viéste ajoelhar-te aqui aos pés da minha cruz? Foi porque a tua cabeça se encheu de duvida?…

Tanto melhor! Aproveita agora que tens a duvida dentro da tua cabeça, aproveita a sorte de têres a duvida dentro da tua cabeça. Não te cances de ter esta sorte!

«Não tenhas mêdo de estares a ver a tua cabeça a ir directamente para a loucura, não tenhas mêdo! Deixa-a ir até á loucura! ajuda-a a ir até á loucura. Vae tu tambem pessoalmente, co'a tua cabeça até á loucura! Vem ler a loucura escripta na palma da tua mão. Fecha a tua mão, com força. Agarra bem a loucura dentro da tua mão!

«Senão… se tens mêdo da duvida e te pões a fugir d'ella por môr da loucura que já está á vista, se não começas desde já a desbastar a fantasia que cresceu no logar marcado para ti, lá em baixo na terra; se não pretendes transformar essa fantasia em imaginação tranquilla e creadora…

… um dia a loucura virá plo seu proprio pé bater á tua porta, e tu, desprevenido, e tu sem mãos para a esganar, porque a loucura já será maior do que na palma da tua mão, porque a loucura será maior do que as tuas mãos, porque a loucura poderá mais do que tu com as tuas mãos; e ella fará de ti o pior de todos, por não teres sabido servir-te d'ella como tu devias sabe-lo querer!

+FIM DE DIA+

Um por um, toda a humanidade ouviu a Cruz da encruzilhada, e a cada um parecia-lhe reconhecer aquelle modo de fallar.

Havia oliveiras á beira da estrada para a gente se encostar.

Antes de cada um chegar a casa havia um chafariz para matar a sêde.

Eu não sabia que o chafariz tinha tanto que vêr—havia muitos soldados por causa das raparigas a encher as bilhas!