Fazia uma semana que Horacio não apparecia em casa de Salles.
Amelia tinha por duas vezes mandado saber do noivo. Da primeira contentou-se com um recado; da segunda enviou-lhe uma saudade.
O negociante de sua parte havia passado por casa do moço, que pretextou um defluxo para justificar sua ausencia; e prometteu apparecer no dia seguinte.
Horacio comprehendia a necessidade de sahir da posição difficil em que se achava, mas debalde procurava um meio. Cansado de cogitar, entendeu que o melhor era confiar-se á inspiração do momento.
No dia seguinte á noite, dirigiu-se á casa do negociante.
As duas senhoras estavam sentadas junto a mesa; a mãi lia, a filha pensava. Amelia estava triste, sua mãi suppunha que eram saudades.
Quando Horacio entrou, D. Leonor o festejou com verdadeiro prazer. Amelia sentiu um vislumbre de esperança, que illuminou o sorriso de seus labios.
—Felizmente! exclamou D. Leonor. Esta casa era uma fonte dos suspiros!
A conversação começou friamente, e foi se arrastando por algum tempo.
—Não tem sahido? perguntou Horacio depois de uma pausa.