—Ah! exclamou o Mattos, avistando o criado. Está quasi prompto.

—Não posso esperar! replicou o lacaio com a insolencia do rafeiro de casa rica.

—É só embrulhar.

Leopoldo disfarçava; fingindo olhar o calçado exposto na vidraça, viu de esguelha o sapateiro tirar a fôrma da outra botina, bater o ponto e dar o ultimo polimento á sua obra; feito o que arranjou o embrulho.

—Está bem amarrado? perguntou o lacaio. Olhe que da outra vez já se perdeu uma botina por sua causa, e eu é que levei a culpa.

—Não tenha susto; desta vez está bem seguro; respondeu o Mattos.

Foi-se o lacaio; e Leopoldo com o semblante carregado de tristeza, despediu-se, arrependido de ter ido á loja. Que saudades tinha da sua duvida!

—A duvida, pensava elle, é ainda um raio de esperança!

[VII]

A esse tempo Horacio, sentado em uma poltrona na casa do Bernardo, fumava o seu conchita, com o olhar, ora na calçada, ora no espelho fronteiro, á espreita do menor vulto de mulher.