Ao retirar-se, Horacio achou ensejo de trocar uma palavra coma moça, emquanto lhe apertava a mão.

—Não seja cruel!

—Oh, cruel não sou eu; replicou a moça com expressão de ressentimento.

Mais tarde em sua alcova, emquanto desfazia o penteado, soltando os lindos anneis do cabello castanho, Amelia recordou-se das palavras apaixonadas que ouvira de Leopoldo na vespera, e comparou-as com as queixas de Horacio. A linguagem do primeiro tinha a eloquencia da paixão; parecia vir do intimo, do mais profundo do coração. A linguagem do segundo, tinha a graça da seducção; era a vibração passageira das cordas d'alma.

Mas a palavra do leão, vinha envolta em um sorriso gracioso, sombreado por um bigode fino e elegante!

Durante uma semana, Amelia não viu Horacio; por uma razão muito simples. O moço de arrufado, não appareceu durante dois dias; quando se resolveu a apparecer, a moça despeitada inventou um incommodo, e não desceu á sala de visita, pelo dobro do tempo. Si Horacio sustentasse a lucta, podia haver serio rompimento.

O leão, porém, estava domado; tinha achado a sua Diana. No quinto dia foi humildemente render preito e homenagem á suzerana de seu coração. Amelia o recebeu, como rainha magnanima; e tratou-o nesse dia com amabilidade extrema. Pela primeira vez, Horacio pôde beijar-lhe a ponta dos dedos.

Animado com esse acolhimento, o leão arriscou de novo a grande questão. Fitando o olhar no rosto da moça, e abaixando-o á orla do vestido, disse em tom supplicante:

—Me deixa vêr?

—Não; respondeu a moça com vivacidade, e demudando-se.