A moça calou-se.
—Não lhe mereço nem uma palavra!
—Parece que o senhor lhe dá bem pouco apreço.
—Que injustiça!
—Quem passou tantos dias sem ella, póde bem esperar ainda os dous que faltam.
—Então sou eu o culpado dessa demora! Quem me condemnou a ella?
—E o senhor nem ao menos procurou abrevial-a: achou mais commodo esperar tranquillamente? Pois continue á esperar.
—Mas, D. Amelia! Depois da resposta de seu pai, si eu me apresentasse em sua casa, tornar-me-hia importuno. Cuida que não soffri, passando tantos dias sem vêl-a? Ingrata! Quantas vezes não podendo resistir fui até á porta de sua casa, e passei, impellido pelo receio de indispol-a contra mim? Si ella me amasse, pensava eu, teria acceitado logo: não o fez; quer refflectir; devo deixal-a tranquilla, e respeitar a sua resolução. Que vou eu lá fazer? Obrigal-a á me aborrecer.
Horacio mentia; elle se ausentara da casa do Salles Pereira, sómente para vencer a resistencia da moça por uma simulada indifferença.
O carro do negociante aproximou-se: