—Vai sem me deixar uma esperança?

—Não é aqui o logar de pedil-a.

—Então amanhã?

—Si quizer!

No dia seguinte á noite o leão estava em casa do negociante. Amelia o recebera com um resto de resentimento, que se desfez com os primeiros galanteios. Succedeu o que era natural; depois de uma abstinencia de tantos dias, esses corações tinham sede de ternura, e beberam um no outro á largos sorvos.

Quando o leão se retirou, elle sabia que dois dias depois receberia officialmente, por uma carta do negociante, o sim que ouvira naquella noite entre um sorriso e um rubor.

Quanto á Amelia, depois que a auzencia do moço rompeu o encanto, e deixou-lhe unicamente a consciencia do compromisso tomado, lembrou-se involuntariamente de Leopoldo, cuja imagem pallida e triste, desenhou-se em sua imaginação.

—Elle ha de soffrer muito! pensou a moça suspirando.

No dia seguinte havia reunião em casa de D. Clementina. Amelia recordou-se disso, e fez tenção de ir. Naquelle momento julgou-se obrigada á communicar sua ultima resolução á Leopoldo. Pareceu-lhe que seria uma deslealdade deixal-o na ignorancia de seu casamento, até que viesse á sabel-o por algum estranho.

Mais tarde surgiram os escrupulos. Tendo acceitado a mão de Horacio, não era bonito animar uma affeição, que deixava de ser innocente. Embora nunca retribuisse a paixão de Leopoldo, podiam suppôr que não a repellia. Demais sendo natural que Horacio fosse passar a noite em sua casa, ella procederia muito mal, trocando sua companhia pela de um rival.