—Eu me sento! disse-lhe Amelia irritada.
—Barbara, non hai cor! replicou-lhe Horacio com as palavras do romance.
—O seu coração está no botim? perguntou-lhe a moça com despeito.
—O meu a senhora bem o sabe, já não me pertence, pois lh'o dei a muito tempo; e ando-o agora procurando no chão, onde creio que o deixou esmagado um tyranno que eu adoro e me repelle. Mas conto com a senhora para movel-o em meu favor. Sim?
—Não: respondeu a moça agastada.
—Realmente eu não comprehendo. Será possivel que a senhora tenha ciumes delle? perguntou Horacio gracejando.
A moça olhou-o com expressão.
—Tenho sim, tenho ciumes!
Terminada a quadrilha, Horacio, depois de algumas voltas de passeio pela sala, deixou a moca no seu logar, e desceu a escada de marmore que levava ao jardim, illuminado com lampeões de diversas côres. Havia ao lado da casa, e ao longo de uma latada, mesas de ferro para tomar sorvetes e refrescos. Horacio, dirigindo-se para esse logar, avistou Leopoldo sentado á uma das mesas.
—Oh! por cá tambem, Leopoldo?