II. [Jurupary.]—demonio; de juroboca e apara torto, aleijado. O bocca torta.

III. [Ubaia.]—fructa conhecida da especie engenia. Significa fructa saudavel, de uba-fructa e aia saudavel.

Pag. 41.—I. [Jandaia.]—Este nome que anda escripto por diversas maneiras nhendaia, nhandaia e em todas alterado é apenas um adjectivo qualificativo do substantivo ará. Deriva-se elle das palavras nheng—falar—antan, duro, forte, aspero, e ara desinencia verbal que exprime o agente—nh' ant' ara; substituido o t por d—e o r por i, tornou-se nhandaia, d'onde jandaia, que se traduzirá por periquito grasnador.

Do canto d'esta ave, como se viu, é que vem o nome de Ceará, segundo a etymologia que lhe dá a tradicção.

II. [Inhuma.]—Ave nocturna palamedea. A especie de que se fala aqui é a palamedea chavaria, que canta regularmente á meia noite. A orthographia melhor creio ser anhuma, talvez de anho, só, e anum, ave agoureira conhecida. Significaria então assim anum solitario, assim chamado pela tal ou qual semelhança do grito desagradavel.

Pag. 42.—[Inubia.]—Trombeta de guerra. Os indigenas, segundo Lery, as tinham tão grandes que mediam um diametro na abertura.

Pag. 43.—[Guará.]—Cão selvagem, lobo brazileiro. Provêm esta palavra do verbo u comer, do qual se forma com o relativo G e a desinencia ara o verbal g-u-ára comedor. A syllaba final longa é a particula propositiva ã que serve para dar fôrça á palavra.

G-u-ára-ã realmente comedor, voraz.

Pag. 44.—I. [Jiboia.]—Cobra conhecida: de gi machado e boia cobra. O nome foi tirado da maneira porque a serpente lança o bote, semelhante ao golpe do machado; pode traduzir-se bem cobra de arremesso.

II. [Sucury.]—A serpente gigante que habita nos grandes rios e engole um boi. De Suu, animal e cury ou curu roncador. Animal roncador, porque de feito o rouco da sucury é medonho.