III. [Se é que tens sangue e não mel.]—Allusão que faz o velho Andira ao nome de Irapuam, o qual como se disse significa mel redondo.
IV. [Ouve seu trovão.]—Todo esse episodio do rugido da terra é uma astucia, como usavam os pagés e os sacerdotes de toda a nação selvagem para imporem á imaginação do povo. A cabana estava assentada sobre um rochedo, onde havia uma galeria subterranea que communicava com a varzea por estreita abertura; Araken tivera o cuidado de tapar com grandes pedras as duas aberturas, para occultar a gruta dos guerreiros. N'essa occasião a fenda inferior estava aberta e o Pagé o sabia; abrindo a fenda superior, o ar encanou-se pelo antro espiral com estridor medonho, e de que pode dar uma idéa o sussurro dos caramujos.—O facto é pois natural; a apparencia sim maravilhosa.
Pag. 45.—[Abaty n'agua.]—Abaty—arroz; Iracema serve-se da imagem do arroz que só viça no alagado, para exprimir sua alegria.
Pag. 53.—I. [Ubiratan.]—Páo ferro, de ubira—páo e antan duro.
II. [Maracajá.]—Gato selvagem.
III. [Caetetus.]—Porco do mato, especie de javali brazileiro. Do caeté—mato grande e virgem—e suu caça, mudado o s em t na composição pela euphonia da lingua. Caça do mato virgem.
IV. [Jaguar.]—Vimos que guará significa voraz. Jaguar tem inquestionavelmente a mesma etymologia; é o verbal guara e o pronome ja nós. Jaguar era pois para os indigenas todos os animaes que os devoravam. Jaguareté o grande devorador.
V. [Anajê.]—Gavião.
Pag. 55.—[Acauan], ave inimiga das cobras—de caa pão e uan—do verbo u, que come pão.
Pag. 56.—[Sahy.]—Lindo passaro azul.