—Se a lembrança de Iracema estivesse na alma do extrangeiro, ella não o deixaria partir. O vento não leva a areia da varzea, quando a areia bebe a agua da chuva.

—A virgem suspirou:

—Guerreiro branco, espera que Cauby volte da caça. O irmão de Iracema tem o ouvido subtil que pressente a boicininga entre os rumores da matta; e o olhar do oitibó que vê melhor na treva. Elle te guiará ás margens do rio das garças.

—Quanto tempo se passará antes que o irmão de Iracema esteja de volta na cabana de Araken?

—O sol, que vae nascer, tornará com o guerreiro Cauby aos campos do Ipú.

—Teu hospede espera, filha de Araken: mas se o sol tornando, não trouxer o irmão de Iracema, elle levará o guerreiro branco á taba dos Pytiguaras.

Martim voltou á cabana do Pagé.

A alva rêde que Iracema perfumara com a resina do beijoim guardava-lhe um somno calmo e doce. O christão adormeceu ouvindo suspirar, entre os murmurios da floresta, o canto mavioso da virgem indiana.

[V]

O gallo da campina ergue a poupa escarlate fora do ninho. Seu limpido trinado annuncia a aproximação do dia.