—Nunca Iracema daria seu seio, que o espirito de Tupan habita só, ao guerreiro mais vil dos guerreiros tabajaras! Torpe é o morcego porque foge da luz e bebe o sangue da victima adormecida!...

—Filha de Araken! Não assanha o jaguar! O nome de Irapuam voa mais longe que o goaná do lago, quando sente a chuva além das serras. Que o guerreiro branco venha, e o seio de Iracema se abra para o vencedor.

—O guerreiro branco é hospede de Araken. A paz o trouxe aos campos do Ipú, a paz o guarda. Quem offender o extrangeiro, offende o Pagé.

Rugiu de sanha o chefe tabajara:

—A raiva de Irapuam só ouve agora o grito da vingança. O extrangeiro vae morrer.

—A filha de Araken é mais forte que o chefe dos guerreiros, disse Iracema travando da inubia. Ella tem aqui a voz de Tupan, que chama o seu povo.

—Mas ella não chamará! respondeu o chefe escarnecendo.

—Não, porque Irapuam vae ser punido pela mão de Iracema. Seu primeiro passo, é o passo da morte.

A virgem retrahiu d'um salto o avanço que tomara, e vibrou o arco. O chefe cerrou ainda o punho do formidavel tacape; mas pela vez primeira sentio que pesava ao braço robusto. O golpe que devia ferir Iracema, ainda não alçado, já lhe trespassava, a elle proprio, o coração.

Conheceu quanto o varão forte, é pela sua mesma fortaleza, mais vencido das grandes paixões.