Não tinha sorrisos, nem cores, a virgem indiana; não tem borbulhas, nem rosas, a acacia que o sol crestou; não tem azul, nem estrellas, a noite que enluctam os ventos.
—As flôres da matta já abriram aos raios do sol; as aves já cantaram: disse o guerreiro. Porque só Iracema curva a fronte e emmudece?
A filha do Pagé estremeceu. Assim estremece a verde palma, quando a haste fragil foi abalada; rorejam do espato as lagrimas da chuva; e os leques ciciam brandamente:
—O guerreiro Cauby vae chegar á taba de seus irmãos. O extrangeiro poderá partir com o sol que vem nascendo.
—Iracema quer vêr o extrangeiro fora dos campos dos Tabajaras; então a alegria voltará ao seu seio.
—A juruty, quando a arvore secca, abandona o ninho em que nasceu. Nunca mais a alegria voltará ao seio de Iracema: ella vae ficar, como o tronco nú, sem ramas, nem sombras.
Martim amparou o corpo tremulo da virgem; ella reclinou languida sobre o peito do guerreiro, como o tenro pampano da baunilha que enlaça o rijo galho do anjico.
O mancebo murmurou:
—Teu hospede fica, virgem dos olhos negros: elle fica para ver abrir em tuas faces a flôr da alegria e para colher, como a abelha, o mel de teus mimosos labios.
Iracema soltou-se dos braços do mancebo, e olhou-o com tristeza: