—Guerreiro branco, Iracema é filha do Pagé, e guarda o segredo da jurema. O guerreiro que possuisse a virgem de Tupan morreria.

—E Iracema?

—Pois que tu morrias!

Esta palavra foi sopro de tormenta. A cabeça do mancebo vergou e pendeu sobre o peito: mas logo se ergueu.

—Os guerreiros de meu sangue trazem a morte comsigo, filha dos Tabajaras. Não a temem para si, não a poupam para o inimigo. Mas nunca fóra do combate elles deixaram aberto o camocim da virgem na taba de seu hospede. A verdade falou pela bôcca de Iracema. O extrangeiro deve abandonar os campos dos Tabajaras.

—Deve: respondeu a virgem como um ecco.

Depois a sua voz suspirou:

—O mel dos labios de Iracema é como o favo que a abelha fabrica no tronco da guabiroba: tem na doçura o veneno. A virgem dos olhos azues e dos cabellos do sol guarda para seu guerreiro na taba dos brancos o mel da assucena.

Martim afastou-se rapido, e voltou, mas lentamente, A palavra tremia em seu labio:

—O extrangeiro partirá para que o socego volte ao seio da virgem.