Os guerreiros tabajaras, excitados com as copiosas libações do espumante cauim, se inflammam á voz de Irapuam, que tantas vezes os guiou ao combate, quantas á victoria.

Aplaca o vinho a sêde do corpo; accende outra sêde maior na alma feroz. Rugem vingança contra o extrangeiro audaz que affrontando suas armas offende o Deus de seus paes, e o chefe da guerra, o primeiro varão tabajara.

Lá tripudiam de furor, e arremettem pelas sombras; a luz vermelha do ubiratan, que brilha ao longe, os guia á cabana de Araken. De espaço em espaço erguem-se do chão os que primeiro vieram para vigiar o inimigo.

—O Pagé está na floresta! murmuram elles.

—O extrangeiro? pergunta Irapuam.

—Na cabana com Iracema.

O grande chefe lança o terrivel salto; já é chegado á porta da cabana, e com elle seus valentes guerreiros.

O vulto de Cauby enche o vão da porta; suas armas guardam deante d'elle o espaço de um bote do maracajá.

—Vis guerreiros são aquelles que atacam em bando como os caetetús. O jaguar, senhor da floresta, e o anajê, senhor das nuvens, combatem só o inimigo.

—Morda o pó a bocca torpe que levanta a voz contra o mais valente guerreiro dos guerreiros tabajaras.