Sua mulher, D. Lauriana, dama paulista, imbuida de todos os prejuizos de fidalguia e de todas os abusões religiosas daquelle tempo; no mais, um bom coração, um pouco egoista, mas não tanto que não fosse capaz de um acto de dedicação:

Seu filho, D. Diogo de Mariz, que devia mais tarde proseguir na carreira de seu pai, e que lhe succedeo em todas as honras e foraes; ainda moço na flor da idade, gastava o tempo em correrias e caçadas:

Sua filha, D. Cecilia, que tinha dezoito annos, e que era a deusa desse pequeno mundo que ella illuminava com o seu sorriso, e alegrava com o seu genio travesso e a sua mimosa faceirice:

D. Isabel, sua sobrinha, que os companheiros de D. Antonio, embora nada dissessem, suspeitavão ser o fructo dos amores do velho fidalgo por uma india que havia captivado em uma das suas explorações.

Demorei-me em descrever a scena e fallar de algumas das principaes personagens deste drama porque assim era preciso para que bem se comprehendão os acontecimentos que depois se passárão.

Deixarei porém que os outros perfis se desenhem por si mesmos.

III
A BANDEIRA

Era meio dia.

Um troço de cavalleiros, que constaria quando muito de quinze pessoas, costeava a margem direita do Parahyba.

Estavão todos armados da cabeça até aos pés; além da grande espada de guerra que batia as ancas do animal, cada um delles trazia á cinta dous pistoletes, um punhal na ilharga do calção, e o arcabuz passado a tiracollo pelo hombro esquerdo.