Pouco adiante, dous homens a pé tocavão alguns animaes carregados de caixas e outros volumes cobertos com uma sarapilheira alcatroada, que os abrigava da chuva.

Quando os cavalleiros, que seguião a trote largo, vencião a pequena distancia que os separava da tropa, os dous caminheiros, para não atrazarem a marcha, montavão na garupa dos animaes e ganhavão de novo a dianteira.

Naquelle tempo dava-se o nome de bandeiras a essas caravanas de aventureiros que se entranhavão pelos sertões do Brasil, á busca de ouro, de brilhantes e esmeraldas, ou á descoberta de rios e terras ainda desconhecidos. A que nesse momento costeava a margem do Parahyba, era da mesma natureza; voltava do Rio de Janeiro, onde fora vender os productos de sua expedição pelos terrenos auriferos.

Uma das occasiões, em que os cavalleiros se aproximarão da tropa que seguia á alguns passos, um moço de vinte e oito annos, bem parecido, e que marchava á frente do troço, governando o seu cavallo com muito garbo e gentileza, quebrou o silencio geral.

—Vamos, rapazes! disse elle alegremente aos caminheiros; um pouco de diligencia, e chegaremos com cedo. Restão-nos apenas umas quatro leguas!

Um dos bandeiristas, ao ouvir estas palavras, chegou as esporas á cavalgadura e avançando algumas braças collocou-se ao lado do moço.

—Ao que parece, tendes pressa de chegar, Sr. Alvaro de Sá? disse elle com um ligeiro accenio italiano, e um meio sorriso cuja expressão de ironia era disfarçada por uma benevolencia suspeita.

—De certo, Sr. Loredano; nada é mais natural a quem viaja, do que o desejo de chegar.

—Não digo o contrario; mas confessareis que nada tambem é mais natural a quem viaja, do que poupar os seus animaes.

—Que quereis dizer com isto, Sr. Loredano? perguntou Alvaro com um movimento de enfado.