Na sexta-feira, erão dez horas da manhã, Pery atravessava a matta imitando alegremente o canto do sahixé, cujas notas sibiladas elle traduzia pelo doce nome de Cecy.

Ia então em procura desse animal que tão importante papel representa nesta historia, especialmente depois de morto; como não o satisfazia qualquer pequeno jaguar, assentara buscar nos seus proprios dominios um dos reis das grandes florestas que corrião ao longo do Parabyba.

Cecilia havia dito uma palavra, e elle que não discutia os desejos de sua senhora, tomára o seu arco e sua clavina e se tinha posto a caminho. Chegava a um pequeno regato, quando um cãozinho felpudo sahio do matto, e logo depois uma india que deo dous passos e cahio ferida por uma bala.

Pery voltou-se para ver donde partia o tiro, e reconheceu D. Diogo de Mariz que se aproximava lentamente acompanhado por dous aventureiros.

O moço ia atirar a um passaro, e a india que passava neste momento, recebêra a carga da espingarda e cahira morta.

O cãozinho lançou-se para sua senhora uivando, lambendo-lhe as mãos frias, e roçando a cabeça pelo corpo ensanguentado como procurando reanima-la. D. Diogo, apoiado sobre o arcabuz, volvia um olhar de piedade sobre essa moça victima de um capricho de caçador, que não desejava perder a sua pontaria.

Quanto a seus companheiros, rião-se do acontecimento, e divertião-se a fazer commentarios sobre a qualidade de caça que o cavalheiro tinha escolhido.

De repente o cãozinho que acariciava sua senhora morta, ergueo a cabeça, farejou o ar, e partio como uma flexa.

Pery que tinha sido testemunha muda desta scena, aconselhou a D. Diogo que se recolhesse á casa por prudencia, e continuou a sua caminhada.

O espectaculo que acabava de presenciar o entristecêra; lembrou-se de sua tribu, de seus irmãos que elle havia abandonado ha tanto tempo, e que talvez naquella hora erão tambem victimas dos conquistadores de sua terra, onde outr'ora vivião livres e felizes.