XIV
A INDIA

Pery apenas sentio voltarem-lhe as forças, continuou a sua marcha atravez da floresta.

Por muito tempo seguio as pegadas da india pelo meio do matto com uma rapidez e uma certeza incrivel para quem não conhecer a facilidade com que os selvagens percebem os mais fracos vestigios que deixão as pisadas de um animal qualquer.

Um ramo quebrado, o capim abatido, as folhas seccas espalhadas e partidas, um galho que ainda se agita, as perolas do orvalho desfeitas, são aos seus olhos exercidos o mesmo que uma linha traçada na floresta, e que elles seguem sem hesitação.

Uma razão havia para que Pery se encarniçasse assim em perseguir aquella india inoffensiva, e a fazer esforços inauditos afim de agarra-la.

Para hem comprehender esta razão, é necessario conhecer alguns acontecimentos que se havião passado nos ultimos dias pelas vizinhanças do Paquequer.

No fim da lua das aguas, uma tribu de Aymorés descera das eminencias da Serra dos Orgãos para fazer a colheita dos fructos e preparar os vinhos, bebidas e diversos alimentos de que costumava fazer provisão.

Uma familia dessa tribu trazida pela caça apparecêra ha dias nas margens do Parahyba; compunha-se de um selvagem, sua mulher, um filho e uma filha.

Esta ultima era uma bella india, cuja posse se disputavão todos os guerreiros aymorés; seu pai, o chefe da tribu, sentia o orgulho de ter uma filha tão formosa, como a mais linda setta do seu arco, ou a mais vistosa penna do seu cocar.

Estamos no domingo.