—É impossivel!... gritou elle. Isso que dizeis é falso. Não ha homem que o fizesse.

—Ponde á prova! respondeu o italiano calmo e impassivel.

—Elle o fez... estou certo... balbuciou Bento Simões em voz sumida.

—Não, retrucou Ruy Soeiro; Satanaz não o faria. Vamos, Loredano; confessai que nos enganastes, que quizestes atemorisar-nos?

—Disse a verdade.

—Mentes! gritou o aventureiro desesperado.

O italiano sorrio: tirando a sua espada, estendeu a mão sobre a cruz do punho, e disse lentamente deixando cahir as palavras uma a uma:

—Por esta cruz e pelo Christo que nella soffreu; por minha honra neste mundo, e minha alma no outro, juro.

Bento Simões cahio de joelhos esmagado por este juramento, que não deixava de ter alguma solemnidade no meio da floresta sombria e silenciosa.

Ruy Soeiro pallido, com os olhos a saltarem-lhe das orbitas, os labios tremulos, os cabellos eriçados e os dedos hirtos, parecia a mumia do desespero.