O frade sorrio nas trevas.
—Agora só me resta a misericordia de Deus, e a reparação do mal que fiz... Roberio é morto, sua mulher vive desgraçada na Bahia... Quero que este papel lhe seja entregue... Prometteis, Fr. Angelo?...
—Prometto! O papel?...
—Está... occulto...
—Aonde?
—Nes... ta...
O moribundo agonisava.
Fr. Angelo, debruçado inteiramente sobre elle, com o ouvido collado á sua boca onde borbulhava uma espuma vermelha, com a mão sobre o coração para ver se ainda palpitava, parecia querer reter o ultimo sopro da vida, afim de tirar delle uma palavra ainda.
—Aonde?... murmurava de vez em quando o frade com a voz cava.
O enfermo agonisava sempre; os soluços extremos da vida que se apaga como a lampada que bruxoleia, agitavão apenas o corpo enregelado.