Em Isabel o indio fizera a mesma impressão que lhe causava sempre a presença de um homem daquella côr; lcmbrára-se de sua mãi infeliz, da raça de que provinha, e da causa do desdem com que era geralmente tratada.
Quanto a D. Lauriana, via em Pery um cão fiel que tinha um momento prestado um serviço á familia, e a quem se pagava com um naco de pão. Devemos porém dizer que não era por mão coração que ella pensava assim, mas por prejuizos de educação.
Quinze dias depois que Cecilia fôra salva por Pery, uma manhã Ayres Gomes atravessou a esplanada e foi ter com D. Antonio que estava no seu gabinete.
—Sr. D. Antonio, esse estrangeiro a quem déstes hospedagem ha duas semanas, pede-vos audiencia.
—Manda-o vir.
Ayres Gomes introduzio o estrangeiro. Era esse mesmo Loredano em que se havia transformado o carmelita Fr. Angelo di Luca.
—Que desejais, amigo, faltárão-vos em alguma cousa?
—Ao contrario, Sr. cavalheiro; acho-me tão bem, que o meu desejo seria ficar.
—E quem vos impede? A nossa hospitalidade assim como não pergunta o nome do que chega, tambem não lhe inquire o tempo da partida.
—A vossa hospitalidade é de um verdadeiro fidalgo, Sr. cavalheiro; mas não é della que desejo fallar.